terça-feira, 13 de outubro de 2009

ALJEZUR e o Dr. José Formosinho

MONTE DA VÁRZEA E ARRIFOS DO POÇO

Aljezur foi das primeiras zonas a ser intervencionada arqueologicamente pelo Dr. José Formosinho, o que permitiu salvar de perda irreparável algumas preciosidades que mais tarde constituirão verdadeiro espólio científico, a chamar ao Museu Regional de Lagos grupos de verdadeiras sumidades do mundo da arqueologia!

BENSAFRIM e ALJEZUR fazem como que o remate da sua intervenção nesta sua primeira época de campo.

Por serem muitos e muito importantes os objectos que o Dr. Formosinho, com a preciosa ajuda dos naturais e residentes nas respectivas regiões, conseguiu salvar da destruição e total perda, indicam-se a seguir alguns dos mais importantes.

Refira-se, entretanto, que alguns deles deram origem a estudos muito interessantes e a comunicações deveras importantes para as mais diversas Instituições Científicas. Estão neste caso, por exemplo, “Duas lápides inéditas”, comunicação do Dr. Formosinho, logo em Abril de 1935 e que estuda duas lápides desta zona ─ uma da “Corte de Pêro Jaques”, de talisca (designação local do xisto)

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e outra próximo de Bensafrim no sítio da “Fronteira”, sendo que da primeira o Dr. Formosinho dá notícia para o Prof. Adolfo Schulten de“uma sepultura de onde trouxe uma interessante lápide com caracteres ibéricos, nos quais julgo ver uma referência aos povos que aqui habitaram alguns séculos antes dos romanos cá terem chegado: os “KONIOS”, “CUNEOS”, ou “CYNETES”; a segunda, de tipo mais vulgar, é uma lápide romana tumular (Hic Situs Est), familiar. É de pedra farinheira (grez vermelho da região) que indica a sepultura de Caio Júlio Arenio e demais familiares. Esta lápide estava já deslocada da sepultura a que devia ter pertencido!

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E como não salientar aqui o célebre Capacete Céltico de bronze, do Sec. V, a. C. encontrado na Várzea da Misericórdia, em Aljezur?!

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Recorde-se ainda que este capacete céltico considerado pelos especialistas “peça arqueológica invulgar” foi causa de uma comunicação científica ao “XIII Congresso Luso-Espanhol para o Progresso das Ciências” efectuada pelo Dr. Formosinho em colaboração com O. Veiga Ferreira e Abel Viana sob o título O capacete céltico do Museu Regional de Lagos (Algarve)(Lisboa / 1950)

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Igualmente a Placa Votiva, em ardósia, da época neolítica e proveniente do Rogil e a Lápide com Escudo do Sec. XVI e proveniente do que então restava da Fortaleza da Arrifana ?!

Vale a pena dar agora uma espreitadela pelos apontamentos registados pelo Dr. Formosinho num dos seus cadernos de campo; até porque pode suceder que ainda exista alguém que tenha conhecido, ou seja familiar de algum dos protagonistas.

Em 18 de Janeiro de 1933 foi anotada pelo Dr. Formosinho a seguinte nota : foi-me dito por João Ramos Netto que Ignácio Bento – do Monte da Várzea – tinha encontrado umas sepulturas com cerâmica. o local fica a 1 km a S de Aljezur. fui lá a 23 de Janeiro de 1933. proprietário ali residente Ignácio Bento.

E as visitas de estudo prosseguiram em 20 de Março do mesmo ano, ao Monte da Várzea; em 18 de Maio de 1933 ao Vale da Maia, Arrifos do Poço, a cerca de 600 metros a Sul de Aljezur, a uma propriedade de Manuel António (Peito Largo), tendo as indicações dos achados sido dadas por José Alves, 2º Sargento da Guarda Nacional Republicana, reformado de Aljezur. E daqui foram salvos mais 3 objectos da época do ferro: uma picadeira, um picote e parte de uma foice, registados respectivamente, nas suas entradas, com os nºs 203, 204 e 205;

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e ainda uma ponta de flecha muito pequena mas perfeita, um botão, um fragmento de faca, vários fragmentos de cerâmica, etc.

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Da base de dados de registos da época mostra-se o que respeita exclusivamente a locais de Aljezur, ou zonas vizinhas:

(continua)

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